Com a confirmação de mortes de macacos devido à febre amarela no Norte de Minas Gerais, o Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs) Regional de Montes Claros está oferecendo orientações aos municípios sobre como lidar com casos suspeitos e a importância do reforço na vacinação.

A Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Montes Claros informou que as mortes ocorridas neste ano foram registradas em cidades como Pirapora, Buritizeiro, Urucuia, Glaucilândia, São João do Pacuí e Coração de Jesus, com duas delas testadas positivas para a doença. Uma videoconferência com mais de 100 profissionais de saúde foi realizada para discutir o assunto.

Agna Menezes, coordenadora de vigilância em saúde do Cievs Regional de Montes Claros, enfatizou que as diretrizes visam alertar os profissionais sobre um possível surto de saúde na região. O médico Mariano Fagundes Neto, parte da equipe técnica do Cievs, destacou que a confirmação da febre amarela em primatas mortos serve como um sinal de alerta para a circulação do vírus na área. Ele ressaltou a necessidade de intensificar as ações de vigilância em saúde, que incluem trabalho de campo e capacitação dos profissionais nas unidades de saúde. “Os macacos atuam como um radar para a doença. A ocorrência de epizootias pode indicar surtos de febre amarela em humanos com até cinco meses de antecedência”, afirmou.

Vale lembrar que os macacos não são transmissores da febre amarela; a doença é transmitida pela picada de mosquitos infectados, e não é contagiosa entre pessoas. Segundo a SRS, 18 municípios do Norte de Minas Gerais foram classificados na categoria 2, que indica a necessidade de medidas adicionais contra a febre amarela, devido à presença de macacos com resultado positivo ou a proximidade com áreas de circulação viral. As cidades incluem Capitão Enéas, Coração de Jesus, Engenheiro Navarro, entre outras.

Os municípios são categorizados em três níveis, com o Nível 1 sem notificações de epizootias e o Nível 3 apresentando casos de febre amarela em humanos, considerado de alerta.

Dhyeime Marques, superintendente regional de Saúde da SRS Montes Claros, reforçou que a vacinação continua sendo a principal estratégia de prevenção e proteção contra a febre amarela. A população é incentivada a manter seus cartões de vacinação atualizados. “A circulação do vírus na região é um alerta que deve ser levado a sério. Diante das epizootias confirmadas, estamos intensificando as ações de vigilância e vacinação”, destacou.

Atualmente, a cobertura vacinal nas 54 localidades sob a supervisão da Superintendência está em 83,04% para crianças e adultos entre nove meses e 59 anos, enquanto o ideal, preconizado pelo Ministério da Saúde, é de 95%. A referência técnica em imunização da SRS de Montes Claros, Mônica de Lourdes Rochido, também comentou sobre as orientações para a aplicação das vacinas.

A primeira dose deve ser administrada aos nove meses, e a segunda aos quatro anos. Aqueles com cinco anos ou mais que nunca foram vacinados ou não têm comprovante devem receber uma dose. Além disso, quem tomou uma dose antes dos cinco anos deve receber um reforço, independentemente da idade. Não devem se vacinar pessoas com alergia severa a ovos, imunossuprimidos graves, gestantes e idosos.

Em áreas florestais, o principal vetor da febre amarela é o mosquito Haemagogus, enquanto em áreas urbanas, a transmissão ocorre pelo Aedes aegypti, o mesmo mosquito que transmite a dengue. Os sintomas iniciais da febre amarela incluem febre repentina, calafrios, dor de cabeça intensa, dores no corpo, náuseas e fraqueza.

Izabela Santos Bretas, médica infectologista e referência técnica do Cievs Regional, alertou que a febre amarela é uma doença grave, e é vital que os profissionais de saúde estejam atentos a possíveis casos. O diagnóstico precoce é crucial, levando em conta o histórico de viagens dos pacientes e seu status vacinal. Os sintomas podem evoluir rapidamente após um período de incubação de três a seis dias, podendo resultar em óbitos em até 14 dias.