A Organização Mundial da Saúde (OMS) e diversos países estão investigando a origem de um surto de hantavírus que afetou pelo menos cinco indivíduos a bordo de um navio que partiu da Argentina rumo a Cabo Verde. O hantavírus é responsável pela hantavirose, que em humanos pode se manifestar como Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH). Segundo o Ministério da Saúde do Brasil, essa infecção pode acarretar sérios problemas cardíacos.
Os sintomas mais comuns da hantavirose incluem fadiga, febre, dores musculares, cefaleia, tontura, calafrios e desconfortos abdominais. Em situações mais críticas, a doença pode evoluir para complicações pulmonares e cardiovasculares severas, culminando na síndrome da angústia respiratória aguda (SARA).
O hantavírus é encontrado em roedores silvestres, que podem excretar o vírus através de urina, saliva e fezes, muitas vezes sem sofrer consequências. A principal forma de contágio em humanos é a inalação de aerossóis gerados a partir das excreções desses roedores. Outras formas de transmissão incluem cortes na pele causados por roedores e o contato com mucosas através de mãos contaminadas. Há relatos de transmissão entre pessoas, especialmente no Chile e Argentina, associados ao hantavírus Andes.
Atualmente, não há tratamento específico para a hantavirose. O manejo é focado no alívio dos sintomas e é conduzido por profissionais de saúde, com a gravidade de cada caso determinando a abordagem. O Ministério da Saúde recomenda que os profissionais que possam estar em risco utilizem equipamentos de proteção, como luvas e máscaras. O Centro de Controle de Doenças dos EUA sugere que o tratamento pode incluir oxigenoterapia e, em casos severos, ventilação mecânica ou diálise.
Cinco dos oito casos suspeitos de infecção por hantavírus no navio foram confirmados pela OMS, com três passageiros falecendo. A OMS não divulgou detalhes sobre os casos confirmados, mas o primeiro positivo foi um britânico de 69 anos que foi internado em uma UTI em Joanesburgo. Uma mulher alemã também faleceu enquanto estava a bordo.
O navio partiu da Argentina no início de abril e, dias depois, um passageiro faleceu por complicações relacionadas ao vírus. Um casal holandês também foi vítima da doença. As autoridades acreditam que o contágio fora do navio possa ter ocorrido durante um voo de Joanesburgo.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, afirmou que a ameaça à saúde pública é considerada baixa, apesar da possibilidade de surgimento de novos casos devido ao longo período de incubação do vírus. Ele enfatizou que a situação não deve ser comparada a uma nova pandemia de COVID-19, destacando que se trata de um surto isolado em um ambiente confinado, onde a transmissão entre pessoas é rara.
Um especialista da OMS está presente no navio para monitorar a situação até a chegada na ilha de Tenerife, na Espanha. A OMS notificou os países de origem dos passageiros para facilitar o rastreamento de possíveis casos.
O diretor da OMS apresentou um resumo dos casos suspeitos. O primeiro foi de um homem que desenvolveu sintomas em 6 de abril e faleceu no navio. Sua infecção por hantavírus foi descartada inicialmente. O segundo caso, sua esposa, apresentou sintomas após desembarcar e faleceu em um voo para Joanesburgo, onde foi confirmada a infecção. A terceira morte foi de uma passageira alemã que apresentou sintomas em 28 de abril, enquanto um homem britânico procurou atendimento médico e está internado em terapia intensiva. Outras duas pessoas estão estáveis e uma já está em casa na Alemanha.
Além dos casos confirmados, há investigações sobre pacientes na França, Holanda e Singapura que não estavam no navio, mas apresentam sintomas suspeitos. As autoridades de saúde locais estão monitorando possíveis infecções, incluindo uma comissária de bordo da KLM e outros passageiros que estiveram em contato com a viúva de um dos falecidos.
A OMS continua a colaborar com países para rastrear o vírus e monitorar contatos potenciais, visando conter a propagação da doença.
Hantavírus: conheça doença que causou surto em navio e é monitorada pela OMS
Vírus causa uma doença chamada hantavirose. Em humanos, ela pode se manifestar como Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH).