A Alemanha, a França, a Bélgica, a Irlanda e a Holanda anunciaram neste sábado (9) que enviarão aviões para retirar seus cidadãos do cruzeiro MV Hontius, que enfrenta um surto de hantavírus. A previsão é que o navio chegue ao Porto de Granadilla, na ilha de Tenerife, na Espanha, na madrugada deste domingo, entre 3h e 5h do horário local (0h e 2h em Brasília). As informações foram fornecidas por Fernando Grande-Marlaska, ministro do Interior da Espanha, e Mônica Garcia, ministra da Saúde espanhola.
Os Estados Unidos também planejam enviar aeronaves para evacuar os americanos a bordo, enquanto a União Europeia deverá disponibilizar mais duas aeronaves para atender os cidadãos europeus restantes. Além disso, os EUA e o Reino Unido informaram que estão elaborando planos de contingência e enviarão aviões para auxiliar países fora da UE que não conseguiram organizar transporte aéreo para seus cidadãos.
Os cidadãos espanhóis devem ser os primeiros a desembarcar do navio. A sequência de evacuação dos demais grupos será decidida pelas autoridades de saúde, uma vez que os passageiros só poderão deixar o navio após a preparação dos voos de evacuação de seus respectivos países.
Conforme Mônica Garcia, os passageiros poderão levar apenas itens essenciais, enquanto a bagagem restante e os corpos das pessoas que faleceram a bordo ficarão no navio e serão enviados para a Holanda para desinfecção. Todos os cidadãos deverão usar máscaras para minimizar os riscos de contágio e, segundo Garcia, o risco para a população em geral continua baixo.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), pelo menos três pessoas faleceram a bordo do navio MV Hondius, que realizava a travessia da Argentina para Cabo Verde. Outros cinco passageiros estão infectados. As autoridades acreditam que a origem do contágio fora do navio pode estar relacionada a um voo em Joanesburgo, na África do Sul.
Mais cedo, Tedros Adhanom Ghebrey, diretor-geral da OMS, chegou à Espanha. Ele se reunirá com autoridades governamentais em Tenerife para garantir o desembarque seguro dos passageiros. Em uma postagem em sua conta no X, Ghebrey informou que está em contato com o capitão do navio e um colega da OMS que está a bordo, e que, neste momento, não há mais passageiros apresentando sintomas da doença.
Na semana passada, o diretor-geral da OMS já havia mencionado que a organização está ciente de relatos de outros casos e alertou que mais infecções podem ocorrer nos próximos dias devido ao longo período de incubação do hantavírus.
O diretor da OMS também forneceu detalhes sobre os casos de hantavírus ao longo de uma coletiva de imprensa. O primeiro caso foi de um homem que apresentou sintomas em 6 de abril e faleceu no navio em 11 de abril. Não foram coletadas amostras, e a infecção por hantavírus foi descartada na época, pois seus sintomas eram semelhantes aos de outras doenças respiratórias.
O segundo caso envolveu a esposa do homem, que desembarcou na ilha de Santa Helena e também apresentou sintomas. Ela teve um agravamento do estado de saúde durante um voo para Joanesburgo em 25 de abril e faleceu no dia seguinte. Amostras coletadas foram testadas e confirmadas como hantavírus.
A terceira morte foi de uma mulher que desenvolveu sintomas em 28 de abril e faleceu em 2 de maio. Ela era de origem alemã e teve a doença confirmada. Um homem que procurou atendimento médico no navio em 24 de abril foi evacuado da ilha de Ascensão para a África do Sul em 27 de abril e está em terapia intensiva. Este foi o primeiro caso de hantavírus confirmado a bordo.
Além disso, duas pessoas estão em estado estável no hospital, e uma está assintomática e já foi transferida para a Alemanha. O oitavo caso refere-se a um homem que desembarcou em Santa Helena.
Países preparam resgate de passageiros em cruzeiro com casos de hantavírus
Países informaram que vão enviar aviões para resgatar passageiros. Navio deve atracar na ilha espanhola de Tenerife na madrugada deste domingo (10).