O Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPQD), localizado em Campinas, São Paulo, está prestes a estabelecer um núcleo voltado para a criação de aplicativos que utilizam Inteligência Artificial (IA) no contexto de serviços públicos federais. Esse projeto contará com um investimento estimado em R$ 60 milhões.
A cerimônia de lançamento da pedra fundamental para a nova estrutura ocorreu nesta sexta-feira, com a presença da ministra de Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck. A expectativa é que o núcleo comece a operar até o final deste ano.
A principal finalidade dos novos aplicativos é facilitar o atendimento e o acesso da população aos serviços oferecidos através da plataforma GOV.BR. A ministra Dweck destacou que essa iniciativa permitirá um governo mais próximo e proativo, com interações mais rápidas e personalizadas, aumentando significativamente a eficiência do setor público.
Além de desenvolver aplicativos, o núcleo será responsável pelo armazenamento e processamento de dados sensíveis dos usuários, como informações de pessoas cadastradas em programas governamentais, que atualmente estão hospedadas em servidores internacionais.
Embora a estrutura física já exista, o CPQD planeja realizar reformas e equipar o local com novas tecnologias, incluindo unidades de processamento gráfico (GPUs). O ambiente funcionará como um laboratório, onde modelos de linguagem e ferramentas de IA Generativa serão desenvolvidos, além de possibilitar o tratamento de grandes volumes de dados para o treinamento de algoritmos.
Essas inovações impactarão diretamente os aplicativos disponíveis ao público, permitindo que os cidadãos se comuniquem com chatbots treinados por IA ao buscar serviços do governo federal. As ferramentas também integrarão a IA em funcionalidades como barras de pesquisa e processamento de dados, visando atender a todos os cidadãos, especialmente aqueles com menos familiaridade digital.
Dweck enfatizou que a inovação vai além da tecnologia: "É uma parceria que possibilitará a atuação de cerca de 350 pesquisadores na criação de soluções para o governo, começando pelo federal e, em breve, se expandindo para todo o setor público."
Ela também destacou a questão da "soberania tecnológica", pois atualmente os dados cadastrais estão armazenados em nuvens no exterior. Com o novo núcleo, essas informações poderão ser mantidas e processadas dentro do Brasil. Dweck comentou que a soberania digital tem três níveis: o de dados, que já está em progresso, e o tecnológico, que é o mais desafiador, mas que o Brasil tem potencial para alcançar, dado seu robusto sistema de inovação.
O núcleo irá se conectar ao projeto Inspire (Inteligência Artificial no Serviço Público com Inovação, Responsabilidade e Ética), que já implantou três chatbots em serviços governamentais ao longo de sete meses, mesmo sem a estrutura física finalizada. Esses chatbots têm se mostrado eficazes em atender a demandas como dúvidas sobre o GOV.BR, orientações para estudantes em processos do SISU e informações sobre campanhas de vacinação.
Outras iniciativas do projeto incluem a criação de uma infraestrutura de IA para processar e organizar aproximadamente 77 milhões de registros de endereços em todo o país, o que é crucial para a implementação de políticas públicas que dependem de dados precisos para a concessão de benefícios.
Campinas terá núcleo para desenvolver aplicativos com uso de IA para serviços públicos federais
Pedra fundamental, que marca a criação da estrutura física no CPQD, foi lançada nesta sexta-feira com presença de ministra. Local também guardará e processará dados de usuários.