Um estudo sobre a Capacidade de Carga em Fernando de Noronha, realizado pelo governo de Pernambuco, revela que a população da ilha é de 7.883 habitantes, cifra que representa um aumento de 149% em relação ao que foi registrado no Censo de 2022, que contabilizou 3.167 moradores. Essa nova informação reabriu discussões sobre o crescimento populacional da ilha, especialmente considerando que, em média, 3.075 turistas visitam Noronha diariamente.

Com a soma de moradores e turistas, a população da ilha pode chegar a 10.858 pessoas, número que ultrapassa a capacidade ideal, estimada em 6.994 indivíduos. O estudo se baseou em dados de serviços públicos, como abastecimento de água e energia elétrica.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), responsável pelo Censo, esclareceu que seus dados refletem a situação do dia 1º de agosto de 2022 e se absteve de comentar metodologias de outras pesquisas. O IBGE aponta que diferenças nos números podem ser atribuídas a critérios distintos sobre o que se considera um "morador".

A repercussão do estudo foi intensa entre residentes e ambientalistas, que acreditam que os dados apresentados se aproximam da realidade atual da ilha. Lilian Hangae, chefe do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) em Noronha, destacou que os resultados indicam que a ilha já ultrapassou sua capacidade máxima, tornando inviável a expansão do turismo, como defendem alguns empresários locais.

O oceanógrafo José Martins elogiou o estudo, mas expressou preocupação com a conservação do ambiente natural, afirmando que é necessário limitar o crescimento na ilha. Ele ressaltou que o aumento desordenado de visitantes e novos empreendimentos tem contribuído para um inchaço populacional.

Nino Lehnemann, presidente da Assembleia Popular Noronhense (APN), argumentou que o Censo não conseguiu abranger toda a ilha e que os dados do estudo de capacidade de carga são mais precisos. Ele destacou que sua residência não foi visitada por equipes do IBGE e apontou a migração desordenada como um problema urgente que precisa ser enfrentado.

Lehnemann afirmou que o verdadeiro desafio não é a quantidade de turistas, mas sim a presença de pessoas que vivem irregularmente na ilha. Ele defendeu a necessidade de regras mais rígidas para coibir ações clandestinas e ressaltou que a migração se deve às oportunidades de trabalho em Noronha.

A Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH), responsável pela elaboração do estudo, afirmou que ele reflete a realidade atual da ilha. O presidente da CPRH, José Anchieta, explicou que a capacidade ideal seria de até 7 mil pessoas, enquanto um acordo de gestão compartilhada entre os governos estadual e federal prevê até 11 mil pessoas. Para acomodar esse número, o governo tem investido em infraestrutura, como abastecimento de água e energia.

José Anchieta também mencionou que todos os novos projetos de construção, incluindo hospedagens, são avaliados individualmente antes de receber autorização. Ele enfatizou que a existência de um termo de permissão de uso não garante automaticamente a construção, sendo necessário obter licenciamento ambiental e seguir normas que assegurem a preservação do meio ambiente. Até o fechamento desta reportagem, não houve resposta da CPRH, da Administração de Fernando de Noronha ou do ICMBio sobre o número de empreendimentos autorizados na ilha. O governo local também não se manifestou sobre as medidas contra a presença de moradores irregulares.