O dólar começou o dia desta quinta-feira (14) atento às movimentações do cenário político tanto no Brasil quanto no exterior. O índice Ibovespa, que representa a maior bolsa de valores do país, será aberto às 10h.

No Brasil, as notícias giram em torno da divulgação de gravações que vinculam o senador Flávio Bolsonaro ao banqueiro Daniel Vorcaro. Flávio, que é pré-candidato à Presidência, era considerado por investidores um potencial agente de mudança na política econômica. No entanto, esse novo desdobramento traz incertezas para o ambiente político nacional.

Os investidores interpretam que essa situação pode diminuir as probabilidades de uma mudança de governo, afetando assim as expectativas acerca de ajustes fiscais. Na véspera, a bolsa registrou uma queda de 1,8%, enquanto o dólar teve uma alta superior a 2%, superando a marca de R$ 5.

Em relação ao caso Master, a Polícia Federal deteve Henrique Vorcaro, pai de Daniel, em uma nova fase da Operação Compliance Zero, que resultou na execução de sete mandados de prisão preventiva e 17 mandados de busca e apreensão. As investigações visam desvendar fraudes financeiras e a atuação de grupos suspeitos de práticas como coerção e invasão de dispositivos.

No âmbito internacional, os mercados financeiros estão de olho no encontro entre Xi Jinping e Donald Trump em Pequim, que ocorre em um momento de aproximação diplomática entre os Estados Unidos e a China. Durante um banquete em homenagem ao presidente norte-americano, ambos trocaram elogios e indicaram a intenção de fortalecer a parceria. Trump se referiu a Xi como “amigo” e o convidou para uma visita oficial aos Estados Unidos no dia 24 de setembro.

Sobre as movimentações do mercado, o acumulado da semana para o dólar é de +2,34%, enquanto no mês está em +1,15%, e no ano apresenta uma queda de -8,75%. Para o Ibovespa, o acumulado da semana é de -3,81%, no mês -5,46%, e no ano +9,91%.

A visita de Donald Trump à China, acompanhada por um grupo de executivos, é um dos principais focos de atenção dos mercados nesta quarta-feira. Este é o primeiro encontro bilateral entre os dois países desde 2017, e ocorre em meio a diversas tensões, incluindo acusações de que a China estaria realizando testes nucleares.

O principal objetivo da visita, conforme declarado por Trump, é pressionar a China a abrir mais seu mercado para as empresas dos EUA. Outros tópicos relevantes que devem ser discutidos incluem a prorrogação da trégua na guerra das tarifas, a questão do Irã — onde Trump deseja que a China utilize sua influência para ajudar a resolver a crise no Golfo —, as relações com Taiwan, e disputas referentes à inteligência artificial e à produção de chips.

As tensões no Oriente Médio também estão em pauta, com as chances de um cessar-fogo entre Irã e EUA diminuindo, após Trump afirmar que a trégua está “respirando por aparelhos”. O Irã rejeitou a proposta americana para encerrar o conflito, pedindo o fim da guerra, compensações e a retirada do bloqueio naval dos EUA.

As tensões na região influenciam os preços do petróleo no mercado internacional, com o barril do Brent superando os US$ 107, devido ao receio de interrupções no Estreito de Ormuz. Autoridades iranianas mantêm uma postura firme, indicando que podem expandir seu programa nuclear caso sejam atacadas novamente, enquanto os EUA impuseram novas sanções contra empresas e indivíduos que supostamente ajudam o Irã a vender petróleo para a China.

O cenário político brasileiro também está sob observação, com as eleições presidenciais se aproximando, programadas para outubro. Uma recente pesquisa da Quaest revelou que o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) estão tecnicamente empatados em um possível segundo turno. Lula obteve 42% das intenções de voto, enquanto Flávio ficou com 41%.

Na pesquisa anterior, Flávio liderava, e os dados revelam que essa disputa tem se mostrado bastante competitiva nos últimos meses, segundo o diretor da Quaest.

Adicionalmente, Lula anunciou o fim da chamada "taxa das blusinhas", que se refere ao imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50. Embora a medida não altere as regras do ICMS, a sua implementação foi vista como uma jogada política, levantando preocupações sobre o impacto fiscal para o governo.

Nos mercados globais, os principais índices em Wall Street apresentaram desempenhos mistos, com os investidores avaliando novos dados de inflação ao produtor nos EUA, que superaram as expectativas e reforçaram a visão de que o Federal Reserve manterá as taxas de juros elevadas por um período prolongado. Na Europa, as bolsas fecharam em alta, enquanto na Ásia, as ações em Xangai atingiram seus níveis mais altos em 11 anos, impulsionadas pela expectativa do encontro entre os líderes dos EUA e da China.