A promotora de Justiça do Ministério Público do Acre, Patrícia Paula, teve uma reação intensa durante uma abordagem do Exército Brasileiro no Ramal Novo Horizonte, na zona rural de Plácido de Castro, na noite do dia 30. Seu veículo foi parado durante a Operação Ágata 2026, e um vídeo que circula nas redes sociais mostra a discussão entre ela e os militares que realizavam a fiscalização.

Nas filmagens, Patrícia questiona a legitimidade da operação, indagando de quem era a ordem para que o bloqueio ocorresse. O MP-AC informou que a promotora está em licença médica e não está exercendo suas funções no momento. Em suas declarações, ela afirma: “Não tem preparo para abordar, não tem autorização, vocês não estão junto. Está com a ordem de quem?"

O contato foi feito pelo g1 tanto com a promotora quanto com o comando de Fronteira Acre e o 4º Batalhão de Infantaria de Selva (4º BIS), que aguardam um retorno sobre o ocorrido. Durante a abordagem, um dos policiais tentou explicar a razão da operação, mas Patrícia continuou a questionar e interrompeu o militar, afirmando: "Estou falando com autoridade, você não é autoridade."

De acordo com o coronel Assis dos Santos, coordenador do Grupo Especial de Operações em Fronteira (Gefron), o bloqueio integra a Operação Ágata 2026, que visa combater crimes transfronteiriços e ambientais na Amazônia. A operação é coordenada pelo Ministério da Defesa e pelo Comando Conjunto Harpia, contando com o suporte da Polícia Militar do Acre e o Gefron. O coronel destacou que essa ação tem o objetivo de aumentar a presença das forças armadas para coibir ilícitos na região, mencionando apreensões recentes de armas e animais silvestres.

Um grupo do Gefron, que realizava outra operação, se deparou com o bloqueio que abordou o veículo da promotora. Eles relataram que a promotora estava bastante agitada, questionando a legalidade da operação e sua realização naquele local específico. Apesar das tentativas do comandante do grupo para explicar o motivo do bloqueio, ele não obteve sucesso, levando-o a solicitar auxílio da equipe do Gefron para ajudar a mediar a situação.

O coronel reforçou que a operação é nacional e conta com respaldo legal. O local da abordagem estava sinalizado com cones e veículos militares. Após a vistoria na caminhonete da promotora, ela foi liberada para seguir viagem ao apresentar sua identificação como funcionária do MP-AC.

Ainda segundo o Gefron, o Exército possui poderes de polícia na área de fronteira, conforme garantia legal que lhes permite atuar diretamente no combate a crimes, sem depender apenas das forças policiais convencionais. O embasamento jurídico principal está na Lei Complementar nº 97/1999, que foi atualizada em anos posteriores para conferir maior autonomia às Forças Armadas. Assim, o Exército está autorizado a realizar vistorias em veículos, efetuar prisões e efetuar patrulhamentos preventivos e repressivos, visando coibir atividades como narcotráfico, contrabando e crimes ambientais.