A Justiça de Minas Gerais decidiu que um dos acusados pela morte de Alice Martins Alves, uma mulher trans de 33 anos, será levado a júri popular. Alice foi agredida após sair sem pagar uma conta de R$ 22 em uma lanchonete localizada na Savassi, região Centro-Sul de Belo Horizonte, em novembro do ano passado. O réu, Arthur Caique Benjamin de Souza, enfrentará acusações de homicídio qualificado. A juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza, que preside o caso, constatou que existem evidências suficientes para confirmar a participação direta de Arthur nas agressões, mas rejeitou as qualificadoras de feminicídio e uso de meio cruel.

O segundo acusado, Willian Gustavo de Jesus do Carmo, foi retirado do processo por falta de provas que comprovassem sua participação nas agressões, tendo sido descrito pela juíza como alguém que apenas "permanecia distante", rindo da situação. Essa decisão foi tomada durante uma audiência em que foi analisada a existência de indícios suficientes para levar o caso adiante ao Tribunal do Júri.

Apesar de ser encaminhado para julgamento, a juíza excluiu da acusação as qualificadoras de feminicídio e uso de meio cruel, afirmando que, até o momento, os elementos do caso sugerem que a motivação do crime foi a cobrança da dívida e não a identidade de gênero da vítima. Além disso, a magistrada não encontrou evidências de que os agressores tenham agido com a intenção de causar sofrimento prolongado, embora tenha reconhecido a gravidade das agressões.

O inquérito policial revelou que Alice não morreu no local devido à intervenção de um motociclista, que chamou o Samu. Em relação às qualificadoras mantidas, a juíza apontou que Alice foi agredida por uma dívida considerada trivial enquanto se encontrava em uma situação de vulnerabilidade, já que estava alcoolizada no momento do ataque.

Arthur, que estava sob prisão preventiva, agora poderá responder ao processo em liberdade, desde que cumpra medidas cautelares. Ele usará uma tornozeleira eletrônica por pelo menos um ano, deverá manter uma distância mínima de 300 metros das testemunhas e familiares da vítima e não poderá deixar Belo Horizonte sem autorização judicial. A data do julgamento ainda não foi definida, mas será decidido por um júri composto por sete cidadãos da sociedade civil.

Alice Martins Alves foi brutalmente agredida na madrugada de 23 de outubro de 2025, após sair de uma lanchonete sem pagar a conta. Funcionários do local a perseguiram e a atacaram com socos e chutes, resultando em ferimentos graves, incluindo fraturas nas costelas e uma perfuração intestinal. Embora tenha recebido atendimento médico, Alice não sobreviveu às complicações decorrentes das lesões e faleceu 19 dias após o incidente.