O Ministério Público de São Paulo anunciou nesta quinta-feira (7) a rejeição de um acordo de delação premiada que estava sendo negociado com os empresários Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como "Beto Louco", e Mohamad Hussein Mourad, chamado de "Primo". Ambos são os principais alvos da operação Carbono Oculto e são acusados de liderar um esquema bilionário ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC) no mercado de combustíveis. A decisão do procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, foi comunicada à defesa dos empresários no mesmo dia.

A defesa, ao ser contatada, optou por não se manifestar. Na véspera, após a decisão sobre a negativa do acordo, a defesa já havia informado que não comentaria devido ao sigilo do processo. Contudo, essa recusa do MP não exclui a possibilidade de um novo acordo ser discutido no futuro, caso haja interesse entre as partes.

As investigações do MP visam desmantelar um sofisticado esquema de sonegação fiscal, lavagem de dinheiro, corrupção e fraudes no setor de combustíveis, supostamente liderado por "Beto Louco" e "Primo". Ambos estão foragidos desde agosto de 2025, em consequência da Operação Tank, que foi deflagrada simultaneamente à Carbono Oculto.

Um dos motivos citados para a recusa do acordo foi a falta de informações essenciais apresentadas pelos empresários, que não trouxeram elementos que justificassem a continuidade das negociações. Informações apuradas pela GloboNews indicam que a decisão foi influenciada também pelo fato de que os dois alvos estão foragidos e pela insuficiência de detalhes sobre a estrutura da organização criminosa e suas atividades.

Os promotores concluíram que os empresários omitiram informações cruciais sobre a operação de lavagem de dinheiro e suas conexões com o PCC, além de não fornecerem dados sobre corrupção policial no estado. Durante as tratativas, aventou-se a possibilidade de que os empresários estivessem dispostos a pagar mais de R$ 1 bilhão em impostos sonegados e multas, embora os investigadores afirmem que tais valores nunca foram realmente discutidos. Antes de definir quaisquer quantias a serem devolvidas ao Estado, seria necessário determinar a pena e o regime que os empresários cumpririam.

A defesa alegou que os documentos, mensagens, gravações e comprovantes apresentados confirmavam o pagamento de mais de R$ 400 milhões em propinas a políticos e autoridades entre 2022 e 2024. Entretanto, os investigadores avaliaram que a evidência disponível era mais abrangente do que a apresentada pelos advogados, ressaltando que o relato se limitava a um único juiz já responsabilizado criminalmente.

Os empresários tentaram firmar acordos de delação em várias esferas desde o ano anterior, mas as primeiras propostas foram rejeitadas pela Procuradoria-Geral da República e pela Polícia Federal. Em São Paulo, eles assinaram um termo de confidencialidade, mas, devido à natureza das denúncias, o caso foi remetido à Procuradoria-Geral de Justiça, que assumiu a responsabilidade. As negociações avançaram, mas estagnaram nos últimos meses, uma vez que o material apresentado não atendia aos requisitos mínimos.

Além disso, uma tentativa de acordo similar foi rejeitada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Piauí em março deste ano. Os empresários alegaram ter informações que poderiam ajudar nas investigações sobre fraudes no setor de combustíveis, mas os promotores concluíram que já possuíam os dados apresentados e que estes não eram suficientes para o progresso da investigação.