As atividades de limpeza na residência de um idoso acumulador em Rio Branco completaram seu segundo dia, com a remoção de 11 caçambas de entulho da área externa entre quarta-feira (6) e esta quinta (7). No total, foram retiradas cerca de 26 toneladas de resíduos do local, que fica no bairro Jardim Tropical. A iniciativa, que envolve várias secretarias municipais, tem como objetivo resolver a situação após uma determinação judicial.

De acordo com a Secretaria Municipal de Cuidados com a Cidade (SMCCI), um total de 18 trabalhadores, incluindo motoristas, operadores, coletores e encarregados, além de três garis, estão empenhados na operação. A limpeza no imóvel foi iniciada devido à ordem judicial e deve ser finalizada na próxima segunda-feira (11), considerando o volume significativo de entulho encontrado. Dentre as caçambas utilizadas, duas foram destinadas à coleta de materiais recicláveis, que estão sendo tratadas pela coleta seletiva. Equipamentos como trator e caminhão também estão sendo empregados na ação.

Após a conclusão da limpeza externa, as equipes agora focam nos espaços internos da casa, começando pela sala, para que possam realizar a dedetização do imóvel. É importante ressaltar que quaisquer objetos pessoais do idoso que sejam encontrados durante a limpeza devem ser preservados e devolvidos a ele.

Além do trabalho das equipes de limpeza, a operação conta com a colaboração da Vigilância Sanitária, Controle de Zoonoses, Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semeia) e Secretaria Municipal de Saúde (Semsa). O resgate de animais, como gatos encontrados no local, e a correta destinação dos materiais recolhidos, que estão sendo levados ao aterro sanitário, também fazem parte das atividades.

A comunidade local observa a limpeza com alívio, após anos de convivência com o mau cheiro e a presença de insetos e animais peçonhentos nas proximidades da residência. As reclamações sobre a situação já duravam pelo menos quatro anos. O morador, que estava internado após uma cirurgia, já teve alta da UTI e, conforme informações da Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (Seasdh), não retornará ao imóvel. Ele será enviado para o Rio Grande do Norte, onde receberá cuidados da família.

Raimundo Barros, um amigo do idoso, expressou sua tristeza pela condição em que ele se encontra. Ele ressaltou a contribuição significativa do idoso durante seu tempo na Universidade Federal do Acre (Ufac). “Ele é um profissional digno, chegou ao Acre em 1975. Infelizmente, teve esse problema, que não consigo explicar, mas é uma pena, pois é uma pessoa digna e importante”, disse.

A limpeza da casa foi ordenada por um juiz após um pedido do Ministério Público do Acre (MP-AC), que mencionou a necessidade de intervenção sanitária em até 72 horas devido às condições insalubres do local. Além da limpeza, o idoso, que estava na UTI, deverá ser acompanhado após sua alta. A prefeitura deve assegurar um acolhimento apropriado, seja por meio de um abrigo ou a oferta de um cuidador, caso ele retorne para casa em condições seguras.

Os relatórios técnicos que fundamentaram o pedido de intervenção apontaram situações preocupantes dentro da residência, incluindo riscos à saúde e a possibilidade de incêndios. A decisão judicial reconheceu que a situação representava uma ameaça não só para o idoso, mas também para a segurança dos moradores ao redor. A prefeitura já monitorava a situação antes da ordem judicial, mas não poderia agir sem autorização, dada a natureza privada da propriedade. Com a decisão, as equipes têm permissão para realizar a intervenção e devem apresentar relatórios detalhados sobre as ações executadas.