O Ministério Público de São Paulo estabeleceu um prazo de 30 dias para que a prefeitura de Sorocaba e o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) esclareçam a situação envolvendo um buraco supostamente criado apenas para servir de fundo para um vídeo do prefeito Rodrigo Manga (Republicanos) nas redes sociais. A situação ganhou notoriedade após uma reportagem do g1, que trouxe à tona possíveis irregularidades na obra, aberta no dia 9 de abril, com a intenção de ser utilizada em gravações para os perfis pessoais do prefeito. A reportagem se baseou em documentos da autarquia e em denúncias de moradores e servidores públicos.

O promotor Orlando Bastos está investigando a ocorrência de possíveis irregularidades na execução da obra e requisitou que o Saae apresente diversos documentos, como notas de serviço e documentos de licitação, a lista de trabalhadores e equipamentos empregados, além de laudos técnicos que justifiquem a necessidade da intervenção.

A investigação do MP foi iniciada após uma denúncia feita pelo vereador Raul Marcelo (Psol), que relatou que um cidadão gravou a abertura do buraco em uma rua que parecia estar em boas condições, sem qualquer necessidade de reparo. A queixa sugere uma possível violação dos princípios de legalidade, moralidade e eficiência na gestão pública. A Promotoria indicou que, após avaliar as informações, pode decidir abrir um inquérito civil formal ou arquivar o caso. Além da representação de Raul Marcelo, o MP recebeu outra denúncia relacionada ao mesmo fato, apresentada pelo ex-prefeito de Sorocaba, José Crespo.

A Prefeitura de Sorocaba, o Saae e o prefeito Rodrigo Manga não comentaram sobre o prazo estipulado pelo Ministério Público. Em ocasiões anteriores, enquanto discutiam a obra, todos negaram qualquer irregularidade.

Funcionários do Saae afirmam que a obra em uma rua da cidade foi realizada unicamente para criar um cenário para um vídeo do prefeito. Documentos exclusivos obtidos pelo g1 revelam várias inconsistências na justificativa para o serviço, incluindo fotos idênticas de "antes e depois" e a mobilização de dez servidores para um reparo que, segundo eles, não era necessário. A prefeitura, por sua vez, alega que a obra visava a manutenção da rede de esgoto.

A denúncia dos servidores, que preferem permanecer anônimos, baseia-se em uma variedade de documentos e registros que contradizem a versão oficial. Entre os principais pontos levantados estão: o poço de vistoria estava fechado, e para um reparo na rede de esgoto, seria necessário abrir a tampa, que, segundo imagens, não foi movida; as fotos de "antes e depois" apresentadas no relatório do Saae eram idênticas e, conforme apurado, foram tiradas a cerca de 70 metros do local da obra; o chamado original para mobilização das equipes era para uma boca de lobo entupida, mas a equipe fez um buraco em outro lugar; e uma foto da rua, capturada momentos antes da obra, não mostrava afundamento, vazamento ou qualquer problema que justificasse a intervenção. Além disso, a mobilização de pelo menos dez servidores para essa ocorrência foi considerada excessiva para o tipo de reparo alegado.