O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) confirmou, nesta segunda-feira (11), a condenação do ex-presidente da Apae de Bauru, Roberto Franceschetti Filho. A decisão de segunda instância ainda permite que a defesa apresente recursos. Franceschetti havia sido sentenciado em outubro de 2025 por homicídio triplamente qualificado, com motivos torpes, dissimulação, e uso de recursos que dificultaram a defesa da vítima, além da ocultação do cadáver da ex-secretária-executiva da instituição, Cláudia Lobo.
Durante a análise em segunda instância, a defesa solicitou a revogação do julgamento realizado em outubro, assim como a diminuição da pena. Contudo, o pedido foi rejeitado pelos desembargadores, que mantiveram a decisão da primeira instância. Além do homicídio, Roberto foi condenado por ocultação de cadáver e fraude processual, totalizando 22 anos e seis meses de reclusão em regime fechado, além de uma penalidade financeira.
A Justiça também determinou uma indenização de R$ 100 mil por danos morais à filha da vítima, Letícia Lobo. Este valor deve ser dividido entre Roberto Franceschetti e Dilomar Batista, ex-auxiliar de almoxarifado da Apae, que também foi condenado no caso. Com essa decisão, a defesa de Roberto ainda pode recorrer a instâncias superiores, como o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e o Supremo Tribunal Federal (STF). A reportagem não conseguiu contato com os advogados de defesa até a última atualização.
Roberto Franceschetti foi detido em 15 de agosto de 2024, sendo o principal suspeito do desaparecimento e assassinato de Cláudia Lobo, vista pela última vez em 6 de agosto de 2024. Cláudia saiu da Apae em um veículo da entidade, sem levar bolsa ou celular, alegando que precisava resolver questões do trabalho. O carro foi encontrado no dia seguinte, abandonado em uma rua do bairro Vila Dutra, com vestígios de sangue. Imagens de câmeras de segurança registraram a presença de Cláudia e Roberto no veículo, além de uma mudança de posições entre eles, momento em que a Polícia Civil alega que o disparo fatal ocorreu.
Dilomar Batista, ex-auxiliar da Apae, confirmou os detalhes sobre a ocultação do corpo da vítima durante as audiências do julgamento.
Além do caso de homicídio, Roberto Franceschetti é alvo de investigações relacionadas a um esquema de desvio de verbas na Apae, que pode ter, inclusive, motivado o assassinato de Cláudia. As investigações sobre esse suposto esquema, que também envolve familiares de Cláudia, continuam sendo conduzidas pelo setor especializado em crimes de lavagem de dinheiro da Polícia Civil e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
Após a prisão de nove pessoas suspeitas de envolvimento no esquema, outras quatro continuam sob investigação. Com exceção de Roberto, que está detido por sua ligação com o desaparecimento e assassinato de Cláudia, os demais suspeitos estão sendo investigados em liberdade. O Gaeco solicitou o ressarcimento de R$ 10 milhões aos envolvidos pelos desvios na Apae.
Caso Cláudia Lobo: TJ-SP mantém condenação de ex-presidente da Apae de Bauru
Sentenciado em outubro de 2025 por homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver da ex-secretária-executiva da entidade, Claudia Lobo, Roberto Franceschetti Filho recebeu pena de 22 anos e seis meses de prisão em regime fechado, além de m…