O Pará ficou em segundo lugar no Brasil em termos de conflitos agrários em 2025, registrando 179 incidentes, apenas atrás do Maranhão, que teve 209 ocorrências. O estado se mantém entre os quatro com os maiores índices de violência no campo nos últimos anos, ao lado de Rondônia, Maranhão e Bahia. Esses dados fazem parte do Caderno de Conflitos no Campo 2025, elaborado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) Regional Pará, que foi apresentado na última quinta-feira (7). Este relatório anual compila e analisa os principais registros de violência e resistência enfrentados no campo brasileiro.
De acordo com Francisco Alan, coordenador regional da CPT/PA, em 2025, foram registrados 26 assassinatos relacionados a conflitos no campo, um número alarmante em comparação aos 13 casos do ano anterior. Ele enfatiza que a violência contra os povos que habitam o campo, as águas e as florestas é preocupante, especialmente quando as causas subjacentes não são abordadas.
Os conflitos pela posse da terra continuam a ser a principal fonte de tensão, com 142 casos relacionados a disputas de ocupação, o que coloca o Pará novamente em segundo lugar no Brasil. Municípios como Santarém, São Félix do Xingu, Viseu, Barcarena e Altamira concentram a maior parte das ocorrências, afetando ao todo 25.854 famílias. Os principais responsáveis por esses conflitos incluem fazendeiros (com 59 registros), seguidos pelos governos federal (21) e estadual (20), além de madeireiros, grileiros, empresários e mineradoras. Comunidades quilombolas (36 conflitos) e povos indígenas (25) estão entre os grupos mais impactados, além de assentados, trabalhadores sem terra, pequenos proprietários, ribeirinhos e posseiros.
No que diz respeito aos conflitos relacionados à água, o Pará lidera novamente, com 21 registros. A maioria dos casos envolve questões de uso e preservação, incluindo destruição e poluição, contaminação por produtos químicos e dificuldades de acesso à água. Os povos indígenas e ribeirinhos são os mais afetados, com o garimpo sendo o principal fator gerador desses conflitos.
Em relação ao trabalho, 44 trabalhadores foram resgatados em situações análogas à escravidão, distribuídos em 13 ocorrências, sendo a maioria ligada à pecuária, seguida por carvoarias, extração de madeira e lavouras. As manifestações e mobilizações resultaram em 66 registros, com a participação de cerca de 85 mil pessoas em todo o estado, intensificadas antes, durante e após a COP 30 em Belém.
Além disso, pelo menos 105 pessoas foram vítimas de agressões físicas relacionadas a esses conflitos, com o estado contabilizando 7 assassinatos, compartilhando o primeiro lugar no ranking nacional com Rondônia. As vítimas incluem trabalhadores sem terra, um pescador e um servidor público, e também foram registrados casos de ferimentos, tentativas de homicídio e 38 ameaças de morte.
Francisco Alan ressalta que os dados de 2025 evidenciam que a região Norte concentra as ocorrências de violência agrária, que frequentemente resultam em mortes. Grupos sociais e lideranças indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais são ameaçados diariamente por lutarem pelos seus direitos. O objetivo da divulgação desses dados é fomentar uma discussão mais profunda sobre a realidade agrária no Pará, fortalecer a denúncia de violações de direitos e aumentar a visibilidade das lutas dos povos e comunidades que habitam o campo.
Pará é 2º estado no ranking nacional de conflitos no campo em 2025, aponta relatório da CPT
Relatório anual da Comissão Pastoral da Terra coloca o estado atrás apenas do Maranhão e alerta para violência contra povos indígenas, quilombolas e ribeirinhos.