Uma operação realizada na última sexta-feira (8) com o intuito de desmantelar um esquema de lavagem de dinheiro vinculado ao tráfico internacional de drogas, gerido pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), resultou na apreensão de aproximadamente 390 animais e 14 veículos, incluindo carros de luxo. A ação foi conduzida pela Polícia Civil em colaboração com o Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP).

Dentre os animais recolhidos, destaca-se o touro "Império", avaliado em cerca de R$ 1 milhão e que ocupou a terceira posição no ranking da Confederação Nacional de Rodeio (CNAR) em julho de 2025.

O foco principal da operação foi o influenciador digital Eduardo Magrini, popularmente conhecido como "Diabo Loiro", que já havia sido preso no ano anterior em uma investigação conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) de Campinas. Magrini é suspeito de estar envolvido em um plano do PCC para assassinar o promotor de Justiça Amauri Silveira Filho. Seu filho, Mateus Magrini, também está sob investigação e foi alvo das buscas, sendo suspeito de movimentar recursos ilícitos por meio de uma empresa ligada ao setor musical.

Conforme as investigações, empresas dos ramos de transporte e rodeio eram utilizadas para movimentar dinheiro proveniente de atividades criminosas, utilizando sócios "laranjas" para disfarçar a origem dos fundos.

A Polícia Civil informou que a operação resultou na apreensão de R$ 15.850 em espécie, além de celulares, anotações e máquinas de cartão. Entre os veículos confiscados estavam um caminhão Volvo, dois caminhões Scania, uma carreta Randon, um caminhão Mercedes-Benz, um carro de luxo Porsche Macan, entre outros. Os animais apreendidos, incluindo o touro "Império", ficarão sob a responsabilidade de um fiel depositário e, posteriormente, serão vendidos para que os recursos sejam revertidos ao erário público.

A Operação Caronte cumpriu 11 mandados de busca e apreensão em diversas cidades, incluindo Campinas, Atibaia, Monte Mor e Sumaré. O esquema de lavagem de dinheiro é suspeito de operar desde 2016, com indícios que surgiram a partir de análises fiscais e bancárias realizadas pelo Lab-LD e pelo Coaf, que detectaram movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada pelos envolvidos.

A Justiça também determinou o bloqueio de R$ 10 milhões em contas bancárias, além da apreensão de veículos e outros bens dos suspeitos. O nome da operação faz referência a Caronte, personagem da mitologia grega responsável por conduzir as almas ao submundo.

Eduardo Magrini, além de ser o alvo central da operação, já teve problemas anteriores com a Justiça. Ele é ex-padrasto do MC Ryan SP, que foi detido durante a Operação Narco Fluxo. Antes de sua prisão, Magrini se apresentava nas redes sociais como produtor rural e influenciador digital, ostentando uma vida luxuosa com mais de 100 mil seguidores. Em suas postagens, ele frequentemente mencionava sua amizade com o lutador do UFC Charles do Bronx e exibia um relógio Rolex que teria recebido de presente do cantor MC Ryan SP.

De acordo com o Ministério Público, mesmo parecendo afastado da facção, Magrini mantinha vínculos significativos com o crime organizado na região e estaria diretamente envolvido em ataques do PCC ocorridos em 2006. Naquele ano, São Paulo enfrentou uma série de atentados e rebeliões orquestradas pela facção, que espalharam pânico pela capital e cidades do interior.