O proprietário de um delivery de comida japonesa clandestino, que havia sido detido na última quinta-feira (7) após a interdição do estabelecimento pela Polícia Civil em São João da Boa Vista (SP), foi liberado na audiência de custódia realizada na sexta-feira (8). Sua identidade não foi revelada. O local, conhecido como "Sushigo", operava sem alvará e licença da Vigilância Sanitária, apresentando condições de higiene extremamente precárias. Tentativas de contato com o proprietário e o estabelecimento não tiveram sucesso.

De acordo com informações da Polícia Civil, o serviço de entrega era realizado por meio do aplicativo Ifood. A empresa foi abordada pela reportagem, mas não respondeu até a última atualização.

As autoridades registraram a ocorrência como crimes relacionados à relação de consumo, incluindo o cumprimento de mandado de busca e apreensão. O dono do restaurante foi solto com base no artigo 319 do Código de Processo Penal, que permite a aplicação de medidas cautelares em vez da prisão. Assim, ele responderá em liberdade, mas deverá comparecer regularmente ao juízo para relatar suas atividades e não poderá deixar a comarca sem autorização prévia. Além disso, foi estipulada a proibição de acesso a determinados lugares durante a noite.

O Boletim de Ocorrência revela que a Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) encontrou no local alimentos impróprios para o consumo e diversas irregularidades sanitárias. Entre os itens descartados estavam arroz, peixes, frutos-do-mar, pepinos, shimeji e salmão, todos armazenados de forma inadequada.

A operação foi realizada durante o cumprimento de um mandado de busca na residência do suspeito, onde foram apreendidos seringas, agulhas e uma máquina de cartão bancário. O proprietário alegou que os materiais eram utilizados para a aplicação de anabolizantes e mencionou que havia outros insumos em seu negócio.

No local indicado, os agentes descobriram um restaurante japonês sem qualquer sinalização na fachada, o que levantou suspeitas sobre sua legalidade. Na cozinha, mais seringas e agulhas foram encontradas, além de um frasco de álcool, ataduras e uma bula do medicamento “Durateston”. Durante a inspeção, as condições insalubres do ambiente foram constatadas, e o investigado admitiu que o estabelecimento não possuía alvará de funcionamento ou licença da Vigilância Sanitária.

A Vigilância Sanitária Municipal foi notificada e confirmou a existência de diversas irregularidades. O relatório indicou que o restaurante operava sem autorização e apresentava sérios problemas de higiene e armazenamento de alimentos. Durante a fiscalização, restos de alimentos foram encontrados espalhados pela cozinha, e a falta de limpeza adequada e problemas estruturais foram observados, incluindo a conexão inadequada da pia ao sistema de esgoto.

Além disso, já havia registros de denúncias anteriores sobre o funcionamento irregular do restaurante. Diante das infrações, um auto de infração sanitária foi lavrado, resultando na interdição imediata do local e na determinação do descarte dos alimentos impróprios para o consumo.

A polícia destacou que, mesmo após a operação, a consulta em um aplicativo de delivery mostrou que o "Sushigo" continuava listado como ativo. O proprietário não apresentou notas fiscais dos itens apreendidos e não soube explicar a origem dos produtos utilizados no restaurante. Os peritos confirmaram a insalubridade do local e as condições inadequadas dos alimentos. Os materiais apreendidos serão analisados para o aprofundamento das investigações sobre possíveis crimes contra a saúde pública e outras infrações cometidas pelo suspeito.