Recentemente, uma funcionalidade pouco divulgada do Google Chrome chamou a atenção na internet: o navegador pode, sem solicitar autorização explícita, baixar e instalar uma inteligência artificial no computador do usuário. Essa ferramenta, que pode ocupar cerca de 4 GB de espaço, é utilizada em diversas funções, como a identificação de fraudes e o resumo de conteúdos em páginas da web.

A revelação foi feita pelo cientista da computação e advogado sueco conhecido como That Privacy Guy, que publicou detalhes em seu blog sobre como o Google estaria implementando essa instalação automática, conforme reportado pelo site de tecnologia CNET. Em resposta a questionamentos, o Google esclareceu que a IA, denominada Gemini Nano, é integrada a recursos de segurança do navegador e que, caso o computador enfrente limitações de memória, a ferramenta é removida automaticamente.

That Privacy Guy explica que o download do Gemini Nano ocorre quando os recursos de inteligência artificial do Chrome estão ativados, e essas configurações já vêm habilitadas por padrão nas versões mais recentes do navegador. Assim, dispositivos que atendem aos requisitos técnicos podem receber a IA sem intervenção do usuário.

O Gemini Nano é baixado em sistemas que executam a versão 147 do Google Chrome. Para verificar se essa versão está instalada, o usuário pode acessar as configurações do navegador e clicar em "Sobre o Chrome".

Para desativar essa funcionalidade, o Google recomenda seguir um guia disponível em sua central de ajuda. A empresa informou que, uma vez desativado, o modelo não fará novos downloads ou atualizações. O processo é simples:
1. Abra o Google Chrome no computador.
2. No canto superior direito, clique no ícone de três pontos e selecione "Configurações".
3. Vá até a opção "Sistema".
4. Desative a função "IA do dispositivo" ("On-device AI").

O Google argumenta que a instalação desses modelos de IA é necessária para permitir que certos recursos do Chrome funcionem efetivamente, como assistência na redação de textos, alertas contra fraudes, resumos de páginas e organização das abas. Para que esses serviços operem localmente, os modelos de IA precisam ser baixados e armazenados diretamente no dispositivo do usuário.

A empresa afirmou: "Introduzimos o Gemini Nano para o Chrome em 2024 como um modelo leve de processamento local. Isso possibilita recursos de segurança fundamentais, como a detecção de fraudes e APIs para desenvolvedores, sem a necessidade de enviar dados para a nuvem. Embora isso exija espaço de armazenamento no desktop, o modelo será desinstalado automaticamente se o dispositivo apresentar falta de recursos. Em fevereiro, iniciamos a disponibilização de uma funcionalidade que permite aos usuários desativar e remover o modelo facilmente nas configurações do Chrome. Assim que desabilitado, ele não realizará novos downloads ou atualizações. Mais informações estão disponíveis em nosso artigo na central de ajuda."