O Itaú revelou nesta terça-feira (23) que fará modificações em suas diretrizes sobre trabalho híbrido, aumentando a exigência de presença de seus colaboradores nas agências. A partir do primeiro trimestre de 2028, os funcionários que atuam em regime semi-presencial deverão comparecer ao escritório três dias por semana, uma mudança significativa em relação à atual regra que estabelece a presença de apenas oito dias por mês.
As novas diretrizes também afetarão os superintendentes, que deverão trabalhar quatro dias por semana no escritório, seguindo o mesmo padrão já aplicado aos diretores. Essa alteração entrará em vigor em janeiro de 2027. Em comunicado, o Itaú destacou que haverá um período de transição, permitindo que os funcionários e suas equipes ajustem suas rotinas pessoais e familiares de maneira gradual.
O banco comentou que essa decisão é parte de um movimento para adaptar seus formatos de trabalho às circunstâncias e necessidades de cada momento. O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região expressou surpresa com o anúncio e afirmou que não houve negociações prévias sobre as mudanças. Em resposta, a entidade solicitou uma reunião para discutir os impactos das novas regras sobre os funcionários e se comprometeu a monitorar as condições do retorno ao trabalho presencial, especialmente em relação à capacidade física das agências.
Essa decisão do Itaú se alinha a uma tendência observada em outras instituições financeiras. Em novembro, o Nubank anunciou a necessidade de retorno aos escritórios por pelo menos dois dias semanais a partir do segundo semestre de 2026, enquanto o Bradesco optou por encerrar o modelo de home office para quase 900 colaboradores a partir de janeiro deste ano. No ano passado, o Itaú já havia demitido cerca de mil funcionários que trabalhavam em regime híbrido ou remoto, justificando a medida como resultado de uma "revisão criteriosa" das práticas relacionadas ao trabalho remoto.
Estudos recentes mostram que muitas empresas estão acelerando o retorno ao trabalho presencial devido a preocupações com a produtividade e a gestão. Por outro lado, os trabalhadores têm relatado aumento de custos, desgaste com deslocamentos e preferência por modelos de trabalho mais flexíveis.
A justificativa do Itaú para as novas mudanças se baseia na flexibilidade que a empresa adotou nos últimos oito anos, com quatro anos em um modelo mais flexível e outros quatro com a exigência de presença em oito dias mensais. O banco afirmou que, mesmo com as atualizações, o novo modelo de trabalho em 2028 manterá um equilíbrio no formato híbrido e estará alinhado a boas práticas globais. Além disso, o Itaú comprometeu-se a investir na modernização de seus espaços de trabalho, ampliando a capacidade física das agências para acomodar adequadamente o aumento do fluxo de colaboradores presenciais.
Itaú muda regra do trabalho híbrido e vai exigir mais dias presenciais a partir de 2028
Hoje, funcionários devem ir ao escritório oito dias por mês. Com a mudança, passam a trabalhar presencialmente três dias por semana.